Fecomércio-AC promove I Seminário de Desenvolvimento Econômico e Sustentável do Acre

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Seminário contou com palestra do economista-chefe da CNC, Fábio Bentes, e painel sobre os desafios e as perspectivas do turismo acreano para o período de 2027 a 2030.

A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Acre (Fecomércio-AC) realizou, nesta terça-feira (20), no auditório da instituição, em Rio Branco, o I Seminário de Desenvolvimento Econômico e Sustentável do Acre. O evento reuniu empresários, economistas, estudantes do IFAC e da UFAC, representantes de entidades empresariais e especialistas para discutir os desafios da economia brasileira e acreana, além das oportunidades de fortalecimento do comércio, dos serviços e do turismo sustentável. A programação contou com palestra do economista-chefe da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), Fábio Bentes, e um painel dedicado às perspectivas para o turismo no estado entre 2027 e 2030.

A abertura foi conduzida pelo superintendente da Fecomércio-AC, Luiz Pontes, que transmitiu os cumprimentos do presidente do Sistema Fecomércio-Sesc-Senac/AC, Leandro Domingos, e do vice-presidente Marcos Lameira. Em seu pronunciamento, Pontes destacou a importância do planejamento, dos investimentos e da articulação entre a iniciativa privada e as instituições públicas para transformar as potencialidades econômicas do Acre em oportunidades concretas de desenvolvimento.

“O Acre possui vocação para o comércio, para os serviços, para o turismo e para atividades que valorizem nossos recursos naturais, nossa cultura e nossa identidade. Para avançar, precisamos de planejamento, ambiente favorável aos negócios, qualificação profissional, investimentos e diálogo permanente entre a iniciativa privada e as instituições públicas”, ressaltou o superintendente.

Pontes também enfatizou o papel estratégico do turismo na diversificação da economia estadual e na geração de novas oportunidades. Segundo ele, a realização do seminário representa uma iniciativa voltada à construção de propostas que contribuam para o crescimento econômico aliado à sustentabilidade.

“O turismo merece atenção especial nesse processo, pelo seu potencial de movimentar empreendimentos, gerar emprego e renda e promover o Acre de maneira sustentável”, acrescentou.

Cenário econômico e desafios para 2027

Durante a palestra “Cenários Econômicos e Desafios para o Setor do Comércio de Bens, Serviços e Turismo”, Fábio Bentes apresentou uma análise da conjuntura econômica nacional e estadual, abordando indicadores de inflação, mercado de trabalho, crédito, endividamento das famílias e desempenho das atividades turísticas.

O economista destacou que, apesar de o Brasil não enfrentar uma crise econômica severa, o ambiente atual apresenta desafios que exigem atenção do setor produtivo, especialmente diante das incertezas econômicas e das perspectivas para 2027.

“A gente não vive uma crise severa no Brasil, mas existem muitos desafios que precisam ser superados. Então, o nosso papel aqui não é defender nenhum lado nem outro, é defender o empresário e tentar trazer para o empresário acreano a visão de como a economia se comportou ao longo de 2026, o que esperar de 2027, quais são os desafios que a gente tem”, afirmou Bentes.

Com base em informações do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Banco Central e Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), o especialista apresentou indicadores que demonstram avanços em determinados segmentos da economia acreana, mas também apontam obstáculos relacionados ao consumo, ao acesso ao crédito e ao comprometimento da renda das famílias.

Entre os resultados apresentados, o emprego formal no Acre registrou crescimento acumulado de 4,2% nos 12 meses encerrados em agosto de 2026, desempenho superior à média nacional de 1,9%. No mesmo período, as atividades de informação, comunicação, financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas apresentaram expansão de 10,1%, enquanto a indústria geral cresceu 7,7% e o comércio, incluindo a reparação de veículos automotores e motocicletas, avançou 1,8%.

Apesar dos indicadores positivos no mercado de trabalho, Bentes chamou a atenção para os níveis de endividamento e inadimplência, fatores que interferem diretamente na capacidade de consumo da população e no desempenho das empresas.

Segundo dados da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), apresentados durante a palestra, 81,6% das famílias acreanas estavam endividadas em setembro de 2026, percentual próximo à média nacional de 82%. Entretanto, 40% das famílias do estado possuíam contas em atraso, contra 29,9% no país. Além disso, 13,7% declararam não ter condições de quitar seus compromissos vencidos.

Ao analisar as perspectivas para o próximo ano, o economista alertou para a necessidade de medidas de responsabilidade econômica que contribuam para reduzir o endividamento e criar condições mais favoráveis ao crescimento.

“A gente vai ter um ano de 2027 que não vai ser fácil. Num momento de tantas incertezas no cenário externo, no cenário interno nosso aqui no Brasil, uma certeza que a gente tem é que quem estiver governando o Brasil, quem estiver governando o Estado do Acre, vai ter desafios importantes pela frente”, avaliou.

Bentes explicou ainda que o comprometimento das finanças públicas e familiares afeta diretamente o comércio, tanto pelo encarecimento do crédito empresarial quanto pela redução do poder de compra dos consumidores.

“Quando o Estado está endividado e a população está endividada, quem sofre é o comerciante. Porque o crédito que ele precisa tomar para adquirir mercadorias fica mais caro e o consumidor tem dificuldade em consumir”, explicou.

Para o economista, a recuperação da capacidade de consumo e a melhoria das condições de financiamento são fundamentais para estimular novos investimentos e fortalecer a atividade econômica nos próximos anos.

Painel discute perspectivas do turismo acreano até 2030

Após a palestra, a programação prosseguiu com o painel “Desenvolvimento Sustentável no Acre: Perspectivas para o Turismo 2027–2030”, que reuniu representantes das áreas econômica, empresarial e acadêmica para discutir oportunidades e desafios relacionados ao fortalecimento da atividade turística no estado.

Participaram do debate o economista-chefe da CNC, Fábio Bentes; o agropecuarista, hoteleiro e presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis no Acre (ABIH-AC), Diogo Lemos; e o professor e coordenador do curso de Economia da Universidade Federal do Acre (UFAC), Elyson Ferreira de Souza. A mediação foi conduzida pelo economista da Fecomércio-AC, Willian da Silva.

O painel ampliou as discussões sobre o potencial turístico do Acre, considerando a importância da integração entre o setor empresarial, a academia e as instituições públicas para o planejamento de iniciativas voltadas ao desenvolvimento sustentável.

Entre os temas propostos para o debate estiveram as oportunidades de diversificação econômica por meio do turismo, a valorização dos recursos naturais e culturais e os caminhos para ampliar a competitividade do estado como destino turístico.

A posição geográfica do Acre também foi destacada por Fábio Bentes como um diferencial estratégico para a integração regional e o desenvolvimento de novas oportunidades econômicas.

“É um estado estratégico, é o nosso estado mais perto do Oceano Pacífico, é um estado que faz fronteira com outros países”, observou o economista.

O debate destacou a relevância de discutir o turismo de maneira integrada, considerando seu potencial para movimentar atividades relacionadas à hospedagem, alimentação, transporte, comércio e prestação de serviços, além de contribuir para a geração de emprego e renda.

Economista destaca importância da iniciativa da Fecomércio-AC

Ao avaliar sua participação no seminário, Fábio Bentes destacou a organização do evento, a diversidade do público presente e a oportunidade de conhecer mais de perto a realidade econômica acreana.

Em nome do presidente da CNC, José Roberto Tadros, o economista agradeceu à Fecomércio-AC pelo convite e ressaltou a importância da aproximação entre a Confederação e os setores produtivos regionais.

“Gostaria de agradecer a oportunidade de ter estado aqui nesse evento com vocês, agradecer ao Dr. Leandro Domingos, ao Marcos Lameira, pela oportunidade de conhecer o estado do Acre, de trocar informações que muitas vezes nós, que estamos no Rio de Janeiro, em Brasília, não temos tanto acesso a essas informações”, declarou.

Para Bentes, o contato direto com empresários, estudantes e profissionais de diferentes áreas contribui para ampliar a compreensão das particularidades econômicas de cada região e enriquecer as análises desenvolvidas pela CNC.

“É importante a gente estar em contato com os empresários, com os estudantes, com o público que esteve aqui presente. Isso enriquece muito, me enriquece como economista, com mais conhecimento sobre um estado tão distante lá do Rio de Janeiro, mas importante para a economia amazônica”, afirmou.

O economista também se colocou à disposição para futuras iniciativas que contribuam para o fortalecimento do diálogo e para o desenvolvimento econômico do estado.

CETUR destaca importância do planejamento para o desenvolvimento turístico

O seminário integrou a programação da segunda Reunião Ordinária do Conselho Empresarial de Turismo e Hospitalidade (CETUR) da Fecomércio-AC, encerrada pelo coordenador de Turismo da Federação, João Bosco Nunes, após a realização do painel.

A iniciativa faz parte das ações institucionais da Fecomércio-AC voltadas à promoção do conhecimento, ao fortalecimento do ambiente de negócios e à articulação entre diferentes setores da sociedade para discutir alternativas de desenvolvimento econômico e sustentável.

O coordenador de Turismo da Fecomércio-AC, João Bosco Nunes, destacou a importância do seminário como espaço de integração entre o setor produtivo, a academia e as instituições ligadas ao turismo. Para ele, o encontro contribui para ampliar as discussões sobre o aproveitamento das potencialidades acreanas e a construção de estratégias para o desenvolvimento sustentável da atividade turística.

“O Acre reúne potencialidades que precisam ser trabalhadas de forma planejada e integrada para que o turismo se consolide como uma atividade cada vez mais importante para a nossa economia. O papel do CETUR é justamente promover essa aproximação entre os diferentes setores, identificar oportunidades e contribuir para a construção de propostas que estimulem investimentos, fortaleçam os empreendimentos e valorizem nossos atrativos naturais e culturais. Esse seminário representa mais um passo nesse trabalho de transformar o potencial turístico do estado em desenvolvimento, emprego e renda”, concluiu João Bosco Nunes.

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