Intenção de consumo cresce em Rio Branco e contrasta com queda nacional em outubro, aponta Fecomércio-AC

Compartilhe:

Indicador alcançou 122,4 pontos na capital acreana, com avanço de 0,8% no mês. Emprego e renda sustentam avaliação positiva das famílias, mas crédito e compras de maior valor ainda exigem cautela.

A Intenção de Consumo das Famílias (ICF) de Rio Branco apresentou crescimento de 0,8% em outubro de 2026, passando de 121,4 para 122,4 pontos. O resultado contrasta com o cenário nacional, em que o indicador registrou queda de 0,8%, atingindo 103,6 pontos. Os dados são da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), analisados pela Assessoria Econômica da Fecomércio-AC na nova edição do Boletim Radar Econômico Acre.

Realizada mensalmente pela equipe econômica da CNC, a pesquisa de Intenção de Consumo das Famílias considera aspectos como emprego atual, nível de renda, perspectiva profissional e acesso ao crédito, indicando o grau de satisfação ou insatisfação das famílias em relação às condições de consumo.

Com o resultado, Rio Branco permaneceu 18,8 pontos acima da média nacional. Na comparação com outubro de 2025, o indicador da capital acreana acumulou crescimento de 7,4%, considerando a série ajustada sazonalmente.

A trajetória recente também chama a atenção. Após permanecer próximo de 115 pontos durante o primeiro semestre, o ICF de Rio Branco ganhou força a partir de julho, alcançando 122,4 pontos em outubro. O movimento sugere uma melhora gradual da percepção das famílias sobre suas condições de consumo.

Emprego e renda sustentam avaliação positiva

Entre os sete componentes que formam o indicador, cinco apresentaram crescimento em outubro. Os destaques foram a avaliação sobre o emprego atual, que avançou 1,9%, alcançando 137,0 pontos, e a perspectiva profissional, que cresceu 1,7%, chegando a 157,0 pontos.

A percepção sobre a renda atual também permaneceu elevada, atingindo 134,2 pontos, com crescimento mensal de 0,7%. Os resultados indicam que as avaliações relacionadas ao mercado de trabalho continuam contribuindo para a confiança dos consumidores na capital.

Entretanto, a melhora não ocorreu de maneira uniforme. A perspectiva de consumo recuou 1,6%, enquanto a avaliação sobre o acesso ao crédito caiu 0,9%, alcançando 100,9 pontos.

O componente relacionado ao momento para aquisição de bens duráveis, como móveis e eletrodomésticos, registrou crescimento de 4,7%, a maior alta do mês. Apesar disso, permaneceu em 82,8 pontos, abaixo da linha de satisfação de 100 pontos.

Para o economista da Fecomércio-AC, William da Silva Pinto, o resultado revela um ambiente relativamente favorável ao consumo, mas que ainda exige atenção do setor empresarial.

“Os resultados mostram que as famílias de Rio Branco estão mais confiantes em relação ao emprego e à renda, fatores importantes para sustentar o consumo. Entretanto, essa melhora não significa necessariamente aumento imediato das vendas. A cautela com o crédito e com as compras de maior valor indica que os empresários precisam continuar atentos aos preços, às condições de pagamento e à gestão dos estoques, especialmente neste período de preparação para as vendas de fim de ano”, avalia o economista.

Famílias de menor renda impulsionam avanço mensal

A análise por faixa de renda mostra comportamentos distintos entre os consumidores de Rio Branco. Entre as famílias com rendimento de até dez salários mínimos, o ICF alcançou 120,4 pontos, com crescimento de 0,9% em outubro.

Já entre aquelas com renda superior a dez salários mínimos, o indicador permaneceu em patamar mais elevado, de 140,1 pontos, mas apresentou recuo de 0,5% no mês.

Na comparação regional, Rio Branco registrou o quarto maior índice entre as sete capitais da Região Norte, ficando atrás de Manaus (131,9 pontos), Porto Velho (126,1 pontos) e Belém (126,0 pontos).

Reflexos para o comércio e os serviços

A melhora da intenção de consumo representa um sinal favorável para o planejamento comercial, principalmente diante da proximidade das datas de maior movimentação do varejo no fim do ano.

No entanto, a Fecomércio-AC destaca que o ICF mede a percepção e a disposição das famílias para consumir, não representando necessariamente o comportamento efetivo das vendas.

Dessa forma, os resultados devem ser acompanhados em conjunto com outros indicadores econômicos, como a Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), o emprego formal e as condições de crédito.

A análise completa, com gráficos históricos, comparação entre capitais do Norte, evolução dos componentes e implicações para empresas e consumidores, está disponível no Boletim Econômico de outubro de 2026.

Confira a análise completa abaixo:

Leia mais

Rolar para cima